29 de agosto de 2009

FELIZ ANIVERSÁRIO.....

CHARGE: Fernando Gonçalves : http://chargges.zip.net/
Hoje, o Rei faria 51 anos...
Michael estaria comemorando esta data com uma serie de shows na Inglaterra...
É triste saber que nada se concretizou.... é triste demais olhar pra tras e ver o grande artista do milênio ter ido assim tão rapidamente.....
Em comemoração ao seu aniversario... postarei aqui uma materia escrita por mim para o Jornal Acontece de Três Lagoas/MS em Julho agora.... :


Michael Jackson: Sai da Vida, e entra na HISTÒRIA....

Falar sobre o mestre do universo da música pop é sempre relevante. Embora [quase] tudo já tenha sido dito, há sempre uma curiosidade a mais em torno do ícone Michael Jackson. Prestes a comemorar 51 anos em agosto próximo, o rei do Pop é sinônimo de uma espécie de artista à beira da extinção.
Ele foi responsável por dar seqüência, nos anos 80, a um trabalho que Elvis, Beatles e David Bowie se ocuparam em difundir nas décadas anteriores. Tentando voltar ao TOPO, Michael vinha ensaiando uma série marcada de 50 shows na Inglaterra, shows que infelizmente nunca acontecerão. Com altos e baixos no caminho, Michael deixa um legado impossível de apagar e a cultura pop, orfã de novos ídolos.
Michael Jackson estava condenado desde o início. A veia artística estava lá, mas o menino de 8 anos não tinha noção do que se tornaria quase 20 anos depois. Foi vítima do autoritário pai, Joseph, que o inseriu no Jackson 5. As apresentações do cantor à frente dos irmãos - Jackie, Tito, Jermaine e Marlon -, encantavam o público pela presença e carisma.
Na época, Diana Ross, Marvin Gaye e Stevie Wonder, todos da gravadora Motown, dominavam as paradas de sucesso embalados pelo soul. No final da década, o grupo ficou pequeno para o sucesso de Michael. Em 1979, produzido por Quincy Jones, o cantor daria o salto definitivo para a carreira solo. Michael agora vivia a era da disco e, sem cerimônia, emplacou hits como Don't Stop Till You Get Enough e Rock With You, no disco Off The Wall, que vendeu mais de 25 milhões de copias.
Entre a decadência da disco e o começo da new wave, o álbum Thriller, de Michael Jackson, trouxe a sonoridade que marcaria a década de 80, influenciando as gerações seguintes. A levada pop construída por Jackson e Quincy Jones, sem abandonar as raízes da black music, transformaria-se numa fábrica de hits, montanha de prêmios e milhões de cópias vendidas. As 109 milhões de cópias que Michael Jackson vendeu no mundo todo, às custas de Billie Jean, Human Nature, Wanna Be Startin Something, Beat It, The Girl is Mine - esta em parceria com o ex-beatle Paul McCartney, e a faixa-título, estão impregnadas no inconsciente coletivo.
O moonwalking tornou-se tão kitsh quanto uma lata de sopa Campbell assinada por Andy Wahrol. Nunca um cantor negro havia alcançado este patamar. Será que Michael precisaria de uma nova identidade para seguir adiante? Os anos seguintes comprovaram que sim.
Embora tenha gravado menos álbuns que antigas lendas, Michael foi responsável pelo hino We Are The World, com a participação de mais de 20 artistas, entre eles Tina Turner e Lionel Ritchie, em combate à fome na África, em 1985. Depois de alcançar o primeiro lugar em varias paradas de sucessos, e arrecadar mais de U$$ 45 milhões, o hino foi imortalizado. Logo em seguinda, precisamente em 1987, o disco Bad fez muito sucesso e colocou seis músicas no topo das paradas, trouxe um Michael mais branco, com um ar mais rebelde, alem de influenciar com sua moda, mas não repetiu o êxito de Thriller nas vendas, vendendo cerca de 35 milhões de cópias em todo o mundo. A obra-prima pop, lançada cinco anos antes, por incrível que pareça, ainda permanecia entre os 200 discos mais vendidos da Billboard. Para entrar na década de 90, Michael retornou às paradas com seu disco mais experimental, Dangerous, lançado em Dezembro de 1991, foi do álbum, que saiu talvez um dos seus maiores sucessos de criticas e um das musicas mais conhecidas de seus fãs, ‘Black or White’, que alcançou topo em diversos países, ficando na parada americana, 7 semanas seguindas. O álbum mais uma vez não repetiu as vendagens de Thriller, mas conseguiu chegar a mais de 38 milhões de cópias vendidas, começando a década com o pé direito.
Na cerimônia do Oscar, em 1991, Madonna convidou Michael para acompanhá-la. Vestida como Marilyn Monroe, ela cantou Sooner or Later coberta por diamantes avaliados em 21 milhões de dólares, revivendo a Material Girl do começo da carreira. Michael havia convidado Madonna para participar da faixa In The Closet, do disco Dangerous. O poderoso dueto acabou não acontecendo. O clipe da faixa acabou tendo a participação de Naomi Campbell. Ela queria que Jackson se vestisse de mulher no vídeo, o que deixou o cantor desconfortável.
Em 1993, teria sua carreira arranhada pela sexualidade. Michael foi processado por conta de uma acusação de assédio sexual, envolvendo um dos meninos que freqüentavam sua casa, o rancho Neverland. O escândalo manchou a reputação do artista, agora branco e cada vez mais controvertido e fez com que ele pagasse alguns milhões para a família do garoto. Jackson, acabou prosseguindo com a turnê do disco Dangerous, que vinha batendo recordes de publico e arrecadação, por onde pela primeira vez, passaria pelo Brasil para realizar um show Solo. Apenas agora, depois de sua morte, o menino revelou a jornais do mundo inteiro, que tudo não passou de uma mentira meticulosamente armada para arrancar dinheiro de seu ídolo.
Michael Jackson lançou em 1995, HIStory, álbum duplo que trazia um CD de inéditas e outro com seus grandes sucessos. O astro estava casado com Lisa Marie Presley, filha de Elvis Presley, desde 1994. Michael detinha total controle sobre a obra dos Beatles, que adquiriu por uma bagatela, e do próprio Elvis. Gravou um dueto com a irmã Janet [Scream] e emplacou sua última música número 1 na parada americana da Billboard, a açucarada You Are Not Alone. No clipe, um Michael branquelo, de cabelos lisos, troca carícias com a então esposa, Lisa Marie. O disco vendeu bem menos que os anteriores, mas por ser um disco duplo com um preço salgado, pode-se considerar um sucesso estrondoso com suas 20 milhões de cópias. Em 1997, ele lançou um disco de Remixes, intitulado “Blood On The Dance Floor”, que trouxe o seu ultimo nº 1 da parada britânica, com a faixa titulo.
Michael só lançaria um novo álbum em 2001, o fracasso Invincible, que mesmo com as 15 milhões de cópias vendidas, passa longe de todos os outros lançamento do artista. Após este disco, Michael se fechou, de 2001 até sua morte, somente coletânias foram lançadas, um novo caso de pedofilia veio a tona, e desta vez ele resolveu enfrentar um julgamento, sendo inocentado de 10 acusações em 2005. Em fevereiro de 2009, Michael assinou contrato com a empresa AEG Live, se comprometendo a realizar 50 shows na O2 Arena, em Londres. Mas sua morte prematura calou a musica, entristeceu os fãs, e apagou o Mito. Vieram as Spice Girls, Britney Spears, Justin Timberlake entre muitos outros. Todos em busca de um lugar ao sol na música pop. Mesmo com Amy Winehouse, a verdade é que, por falta de uma identificação, criatividade ou carisma, "o nosso ídolo ainda é o mesmo, e as aparências não enganam, não". Michael Jackson morreu, e permanece ídolo. Tem mais alguém?

23 de agosto de 2009

Sobre ARREPENDER-SE

Como ouço "Eu não me arrependo de nada!"...
Andei pensando: como não? Eu me arrependo O TEMPO TODO!Me arrependo de não falar; de às vezes falar demais; de não fazer; de fazer exatamente o contrário do que deveria; de clicar no "enviar" (putz, o enviar! Deveria ter um "você tem certeza?" posteriormente!); me arrependo de confiar demais; de ter demorado tanto pra confiar em outros; de comer um chocolate de marca ruim; de ter pego um ônibus ao invés de ir de bicicleta; de pegar uma rua que está um trânsito danado enquanto a outra pudesse estar vazia; de me entregar demais, de me entregar de menos; de ter dormido ao invés de ir em uma festinha na casa de um amigo, onde parecia importante minha presença; de dormir tarde e não conseguir levantar no dia seguinte; de dormir cedo e mesmo assim ficar um caco o dia seguinte; de ter traído uma vez; ou machucado alguém; de não ter me preparado melhor pro teste; de ter me preparado demais e não ter deixado a coisa fluir, de nao ter beijado na hora certa, de ter beijado na hora errada... ufa!
Ou eu sou muito paranóico ou as pessoas andam falando muito sem pensar!Porque com uma coisa eu concordo: se eu pudesse voltar atrás, até faria de novo, pois precisei daquele dia pra NUNCA MAIS repetir. Mas isso não significa que não tenha me arrependido! Mas será que é então assim, carregamos essa nossa verdade tão dura e pomposa que o outro não tem nem sequer o direito de ouvir "desculpa"? Sim, porque pelo que me parece, pedir desculpas é uma consequência do arrependimento...
E por falar em "falar sem pensar", como nós falamos sem pensar! Existem umas expressões tão repetidas (como as repetidas "frases feitas") que parecem que saem de nossa boca sem passar por um processo de aceitação daquela verdade.
Essas entrevistas rápidas (tipo "jogo rápido") são mestras nisso. Tá certo que o entrevistado quer ser visto como um cara maneiro, boa pessoa... mas você acha mesmo que o momento mais feliz da vida dele é "aqui e agora"? Ele realmente está mais feliz respondendo um questionário do que esteve quando comprou seu carro? Ou conheceu sua mulher? Ou quando conseguiu o trabalho que agora o faz requisitado? Duvido.
Ah! E sobre "é melhor se arrepender de ter feito do que de não ter feito"... ainda não estou tão certo disso. Afinal, o que foi feito, não tem volta. E o que não foi, ainda pode ser feito, porque não? Pois (terminando com uma FRASE FEITA) oportunidade é a gente que faz, não?
Até a próxima.

19 de agosto de 2009

Ar e Vento!!!!


Preciso conseguir acalmar minha pulsação. Encontro-me longe de mim sem a menor pretensão de ter um destino. Só preciso me deslocar, sair do lugar. Meu corpo não me obedece quando minha cabeça está longe. Escrever para mim não é como uma arte, é como respirar. No instante que me vivifico em palavras solto de mim todas as angústias que me fez deslocar-me propositalmente para dentro do infinito. De um infinito finito, em mim. Preciso conseguir controlar minha ansiedade. Não é fácil domar pensamentos, é uma sensação de êxtase constante. Não tem como meus pensamentos duvidarem, do que está saindo por meus poros. Mãos trêmulas neste instante e uma imagem visual perfeita mesmo com os olhos fechados me fazem levantar os pés do chão. Tão imediato e apenas um contato. Apenas um contato.


Também não consigo mais montar meu mosaico, está tudo disperso e vivo. Torna-se instintivo tentar achar o realismo disso tudo que corre em mim. Só quando durmo consigo realizar-me. Tentei achar a realidade muitos dias e a encontrei seca e árida. Parece que é justamente quando me proponho a realizar-me, que meus pensamentos se desconectam de mim. Me assusta o caos completo. Sinto que minha respiração continua ofegante. Que tem um grande balão inflável dentro de mim, como os peixes que respiram pela boca, mas não tenho traquéias, só me inflamo de ar. Longe de mim.


Abomino a paixão, pois ela me consome. Não sei controlar. Levo-me em tambores pelo som que traz o vento, me desconcentro, fico impulsivo, danço, saio com roupa do lado contrário pela rua, me vejo em coisas, fumo e bebo demais. É uma questão de força, de domínio, de fuga como correr e tomar banho de chuva. Fico arrebatado. Penso ser a paixão a causa de minha imensidão e enclausulamento. Não temo sentir. Quando sinto, sinto forte. Escrever é poder tirar isso de mim. É poder gritar em palavras que ecoam pro universo. É um prazer ter saudade, acordar suado, de tanta intensidade.


A primavera esta chegando, tem flores vindo, tem cheiro de transformação. Me orgulho de sentir quando algo está entrando em mim e saber que isso vai me transformar. Me orgulho de sentir dor exacerbada, isso gera vida. O processo dói. É até onde posso me esticar sem ter que explicar em palavras coerentes como consigo respirar sem traquéias. Não consigo me esforçar para escrever, tenho que fazer isso. E o sangue agradece, se não apodrece e fica aqui, neste corpo, coagulado.


Ainda tenho coisas a dizer, para que ninguém me ouça. Para que tudo continue girando. Para que meu coração se fortaleça e deseje mais o que tiver que desejar. Se minha inspiração não vem de ninguém também não vai para ninguém, não estou inspirado em função de nada, não é para ter direção. O sentir é um ciclo, é uma bolha que infla e que desinfla. Somos como aves e peixes, podemos respirar pra dentro e voar pra fora. Somos únicos e flagelados pela paixão. Homens e Mulheres podem sentir as fortes batidas juntos ou separados, como disse, não tem direção. É circular. É maravilhoso que as coisas não dependam de mim.


Escrevo porque é intrínseco a mim.Tenho sonhos como qualquer bicho, mas se eles não acontecem, busco me libertar e ser maior. O instinto é surreal e vivo. Agora, neste instante, entro em contato com uma nova sensação que vem atrás do pensamento que faz com que a realidade não seja descrita, ela não existe agora. Ela viaja enquanto eu fico e quando eu vou é porque ela me leva. Isso que escrevo agora, não tem começo, é mesmo continuação do que já fui e do que não serei.


Estou cansado de me defender, consegui atingir o meu âmago, não preciso me esconder de nada, se alguma coisa tem que ser cruel comigo, que venha de mim. A maior sensação de alívio é quando dói e sabe-se que a dor é justa. O processo é cíclico.E como não me entregar a esse instante? Eu me entrego à palavra que chega me levando. Toda vontade vira dádiva e me permito, porque tem coisas que vão continuar comigo, meus pensamentos duvidosos e altruístas, nem tudo vou colocar em palavras, minha existência se faz de minha experiência, mesmo que eu não seja senhor de mim.O que faço agora é tentar misturar palavras para que o tempo se faça. O que eu digo deve ser lido rapidamente, como o que se olha e não se fixa. Nada está fixado em mim.

Sobre Se Movimentar - Ou Não!

"Não há porque chorar por um amor que já morreu".
É, rapaz. Concordo mais uma vez contigo. Você muda a versão e eu continuo concordando.
Tem coisas que o próprio tempo faz a força de resolver para que ninguém se machuque. Laços se desfazem, amores se despedem, páginas viram com o passar do vento.Certo que às vezes é necessário rodar a manivela e isso requer esforço, certo que o motor precisa de ajuda para sair da inércia. Sim. Mas como nossas ações são sempre o resultado da briga entre a massa cinzenta e o miocárdio e nessa guerra nunca saberemos quem é o mais digno de respeito, o tempo é o mais sábio. Com o tempo, os maiores vendavais assentam poeira. E aí fica possível enxergar claramente. Respostas são dadas (ou a falta delas, o que é uma resposta) com o tempo. E quem sente, entende. Assim como quem pensa. Então coração e mente fazem as pazes e se pode caminhar tranquilo rumo ao desconhecido. Porque de relação só se aprende tentando. Uma vez a gente se descabela, numa outra fica em paz, de uma próxima gargalha do destino ou ainda fica querendo desaparecer... cada caso, um caso. Nem a gente mesmo pode se dizer que é o mesmo numa próxima vez.Então você me diz que é hora de deixar tudo como está e eu entendo.Então o sol resove aparecer na minha casa escura e eu aceito.
Vida nova.
Ventos novos.
Cabeça equilibrada no pescoço sem tombar. Peito cheio de fé em dias melhores.
Porque, além de minha avó que tinha propriedade de causa para tal, nunca vi ninguém que tenha morrido de amor.

14 de agosto de 2009

Sobre Mostardas, Vinhos e Canetas!

Há quem goste das coisas (quaisquer coisas) em quantidade. E há aqueles que optam pela qualidade.Vejamos.Se for medir por canetas, prefiro quarenta e nove bics coloridas a uma mont blanc lacrada em sua caixa de veludo. Sem pensar duas vezes. Mas não me venha com qualquer tinta amarela tentando me convencer de que aquilo é mostarda. Não. Isso não.
Percebi que são alegrias completamente diferentes e que provocam satisfações em lugares totalmente distintos.A quantidade traz uma euforia infantil, delícia. Algo como enfiar a mão no saco de 1kg de M&M's. Criança correndo em loja de brinquedos, ou um sebo de onde não se sabe por onde começar e quais títulos levar. Quantidade parece mágica, impossível, inalcançável.Já a qualidade oferece a realização plena, me lembra meu avô sentado em sua cadeira de couro, lendo. Ou o sabor em pequenos goles que satisfazem mais pela peculiaridade do gosto do que pelas goladas da sede.
A qualidade cala a culpa do gasto em tempo de crise. Um gole daquele vinho nos faz fechar os olhos e esquecer o preço. Talvez por isso minha mãe viva repetindo: o barato sai caro.E até mesmo esquecendo itens materiais: quem ganha a discussão de que mais vale um passarinho na mão do que dois voando? Mil passarinhos provocam um vôo ímpar, bonito de ver que só. E o que dizer do animal que te reconhece como dono e vem te dar boa noite ao chegar em casa?Sobre esse muro alto divisor de alegrias, vou caminhando lentamente, ora pulado de um lado, ora paquerando o outro.Será querer muito, grande quantidade de alta qualidade?
Existe isso?

13 de agosto de 2009

Chão em Falso !

Ando deslizando, ouvindo passos...
Incerteza dos abraços que juraram me acalmar....
Agora olho em direção ao meu futuro
que eu guardava tão seguro
Mas não te encontro por lá

Sigo pressentindo, abrindo vozes
Sorridente sob as luzes que me tentam ofuscar
Agora paro o coração no meu futuro:cinza, lama, obscuro
Já não te encontro por lá

Logo eu, com o coração parado
Eu, que achava tudo lindo
Eu, que ouvia o amor calar
Logo eu, que tinha vida em sobra
que distribuia flores,
virei pedra no olhar

Roubo da criança algum sorriso
Improviso um beijo-laço
Sonho entrar numa canção
Subo cachoeiras, monumentos
sou tormento, movimento
sou total contradição

Vivo tropeçando, chão em falso
Cada passo almeja o verso que você me prometeu
Embora preste atenção no meu presente,
sigo ausente, estou pendentevou em sua direção
Sempre insistindo, pacienteno presente ou no que havia n'algum dia, algum lugar
Tento olhar em frente, avisto um muro.
Te recrio no futuro
Eu te recoloco lá.

Amor?.... sim.... Eu Amo...

12 de agosto de 2009

MEMÓRIA !

A música me diz que "o esforço pra lembrar é vontade de esquecer" e ainda assim me seguro na memória de todos os nossos antigos sorrisos e consigo sentir (sem fabricar) algum calafrio ao saber da tua aproximação.... Você que já ocupou tantos lugares nas minhas estórias, na maioria das vezes lugares imaginados, é verdade, mas as poucas reais eram tão lindas e tão certas que tudo indicava, tudo fazia muito sentido; era o cara perfeito; o meu cara; e certa vez passei semanas matutando em por que "o meu cara" era exatamente o que não estava aqui... eu me consolava com as teorias de liberdade que inventava, de que a felicidade era o mais importante e acredito ainda que ela é, mas por quê tem que ser uma liberdade tão individual?
Essa fuga de um lugar fechado e cercado é tão minha quanto tua então na teoria era perfeito, dava pra conciliar, a gente concordava ali... mas as individualidades não conversam... elas não compartilham... simplesmente desejam e vão em busca de satisfazer vontades... e a minha me levava pra arte e a tua te levava pro mundo e as nossas nunca existiram... por conta disso ficamos a meio globo de distância, ou a meio país, ou a meio toque de telefone...
Mas o que faz as distâncias diminuirem é o impulso e o que cria impulso é a coragem e a única capaz de inventar coragem é a paixão... então lembro de beijos e violão e amasso no carro e pizzas e lembro que paixão havia muita... então penso que esforço de memória é vontade de voltar e não de esquecer de vez, mas não há memória que reacenda paixão suficiente pra criar coragem e desencadear impulso pra discar telefone e diminuir a distância.... então páro, seriamente... e quando me lembro já estou longe em fantasias e sorrisos que misturam realidade, vontade e estórias antigas uma vez inventadas, então me sinto muito bobo e quase criança que inventa histórias em quadrinhos e colore as figuras pra ficar mais real... então penso que você talvez pudesse rir dessa coisa toda ou talvez fosse ficar muito sério e se distanciar por um bom tempo.... então desligo o imaginário e vou trocar o disco pra tentar lembrar de alguma outra coisa... e nossa estória imaginada volta pro lugar onde ela sempre morou sozinha e eu pouco te contei e mesmo pouco acessei... e quando abro a caixa pra guardá-la, noto que a cada visita a fantasia faz o favor de gestar mais uma e acabou de crescer um bocadinho... aí eu sorrio e começo a cantar...
Para você mesmo este texto... TE AMO!

5 de agosto de 2009

DES-BOTOX-SE


A cidade e seu vácuo constante. No vazio dos carros, das horas, das pessoas, dos momentos. No vazio das circunstâncias, da solidão, da expectativa, no vazio da criação. No vazio. Se as coisas dessem errado o tempo todo, desacreditaria do amor, da arte e da potência dos fatos.
Se fosse mais fácil, desacreditaria. Só que nisso, teria uma pequena dose de conseqüência destrutiva, que descanalizaria o poder da sedução dos fatos. Se constantes, abundantes, seriam frágeis, se fossem vazios e instantâneos, seriam histéricos. Não acredito na hipótese de que o dinheiro mova a maior parcela dos sentimentos, mesmo. Nem acredito que não possamos fazer qualquer coisa... De música a pala italiana, não vivemos por osmose. E por não viver assim, escolhi não aderir a tudo aquilo que a TV mostra e vende, e que a publicidade te convence que é bom.
Sem risos falseados e esticados e ares de total plenitude mascaradas, sinto a fragilidade que somos e como não podemos prever o percurso das nuvens...grandes contribuidoras para esse instante.
Tudo muda! Inclusive creio que qualquer um é capaz de transformar o que aflige...de burlar o difícil, de manipular as possibilidades do impossível e de seguir. Desde o derretimento das calotas polares, a poluição exagerada, o consumismo da vida, e também o da água até o intenso desmatamento da Amazônia.
Somos Rés-humanos com todos os pormenores e intensamente mortais. Portanto, não seria burrice deixar passar as nuvens, velhas intrusas, esquecer do sol, ter vivo só 30% do nosso corpo, ter muitos filhos e netos, não ver mais a chuva, sentir calor pracaralho, pra vegetar pelos centros de estética corporais, injetando no corpo composições fascinantes, milagrosas, porém artificiais.



DES-BOTOX-SE!


de um vez por todos!




Texto livremente dedicado as donzelas deste século que abstraem o poder de sedução da compra e da propaganda para amarem a vida e o próximo como eles são e como eles deveriam ser.

O Homem e o Sofá


Creio estar certo de que uma coisa é simples. Há pessoas que estão numa eterna busca de seu bem-estar, ora reconstruindo, ora desconstruindo. Mas o que é intrigante é que tais acabam fugindo do tal lugar comum, que generaliza tanta gente. Buscam alguma coisa, seja lá o que isso possa ser, e o fato é: Podem ir muito mais além do que se imaginou, no fluxo das possibilidades, com uma pequena dose de coragem e nenhuma apatia.


Estes dias lendo um texto sobre a psicologia popular, vi que nossos horizontes podem num momento parecer mais claro, já num outro, podem nem se querer aparecer. O que me resta, de todos os conceitos é retirar o preconceito e instigar.
Me instigar na vontade, a delícia de se ter ponto de vista. Questão de objetiva. Foi através de mais um texto tão conflitante quanto os outros que a mera psicologia trata que li uma frase relacionada com as questões do real e do ficcional, da qual me fez querer levantar vôo, mudar de ar... Era tal: “(...) É através da ficção que conseguimos ampliar nossos horizontes (...)”. Claro, que a frase dentro de um contexto falava mais que isso, mas já aí mesmo parei de ler o texto e comecei meu vôo. Já sabia que era o momento de ir.

... Aumentar minhas possibilidades ou apenas ver com olhos cegos a realidade? A trinca perfeita, ou quase perfeita: a realidade, a ficção e a cor. Desbotadas, descompassadas, distorcidas, camufladas. Não entram mais em sincronia com a composição da cidade. A idéia de tempo se tornou tão conveniente que ninguém acha mais graça em colorir, é mais rápido e prático olhar as coisas e a vida de forma a não enxergar o detalhe, não ver sentimento através da vida que normalmente é expressa pelas cores. Alias, acho que só nas cidadezinhas do interior do nordeste ou interior de outros interiores, o homem consegue sobreviver ao caos de ver e não enxergar.


Vejo cores nas unhas de pessoas alheias, na intensidade dos sons, nas atitudes dos seres, nos bosques, no outono, nos sinais de trânsito, na lua. Porque percebo, sinto de forma Lispector. Por ora, ouço mais e falo menos. Por outra, apenas respiro e navego. E como não me intrigar com o predomínio da cor, para além daquilo que não se consome. Ir além da intenção, praquilo que tira meu sossego e que é traduzido pictoricamente através de sonhos.Sonhos desejos, outrora Picassos.


Apenas um detalhe em meio à rapidez do trânsito e o caos da cidade. Vi um homem e o sofá; não sei se ela dele, como ele o adquiriu, não sei se era velho, emborrachado. Abrigava um homem. O sofá vermelho e o homem, apenas um homem. Qualquer ou não, não passava de um homem. Ver cor onde não há expressão. Ter expressão onde não há vida. Situações mínimas, cotidianas que nos reviram por dentro. Que me faz querer falar, dançar, ouvir música, olhar mais e ver menos. Viver. Tirar o branco das janelas fechadas, das pessoas que passam e cheiram a nada, praquelas que não se falam fazer um sinal de adeus. Preto na diferença e branco na falta do preto. E o vermelho que em mim ficou colorido... No homem que sou em preto e branco. Depois de muito viajar na imagem q apreciei por tanto tempo, passei na velocidade da luz e nem aquele homem nem o sofá estavam mais lá. Loucura né?? normal... sempre complico, o que já é complicado... hehe