12 de agosto de 2009

MEMÓRIA !

A música me diz que "o esforço pra lembrar é vontade de esquecer" e ainda assim me seguro na memória de todos os nossos antigos sorrisos e consigo sentir (sem fabricar) algum calafrio ao saber da tua aproximação.... Você que já ocupou tantos lugares nas minhas estórias, na maioria das vezes lugares imaginados, é verdade, mas as poucas reais eram tão lindas e tão certas que tudo indicava, tudo fazia muito sentido; era o cara perfeito; o meu cara; e certa vez passei semanas matutando em por que "o meu cara" era exatamente o que não estava aqui... eu me consolava com as teorias de liberdade que inventava, de que a felicidade era o mais importante e acredito ainda que ela é, mas por quê tem que ser uma liberdade tão individual?
Essa fuga de um lugar fechado e cercado é tão minha quanto tua então na teoria era perfeito, dava pra conciliar, a gente concordava ali... mas as individualidades não conversam... elas não compartilham... simplesmente desejam e vão em busca de satisfazer vontades... e a minha me levava pra arte e a tua te levava pro mundo e as nossas nunca existiram... por conta disso ficamos a meio globo de distância, ou a meio país, ou a meio toque de telefone...
Mas o que faz as distâncias diminuirem é o impulso e o que cria impulso é a coragem e a única capaz de inventar coragem é a paixão... então lembro de beijos e violão e amasso no carro e pizzas e lembro que paixão havia muita... então penso que esforço de memória é vontade de voltar e não de esquecer de vez, mas não há memória que reacenda paixão suficiente pra criar coragem e desencadear impulso pra discar telefone e diminuir a distância.... então páro, seriamente... e quando me lembro já estou longe em fantasias e sorrisos que misturam realidade, vontade e estórias antigas uma vez inventadas, então me sinto muito bobo e quase criança que inventa histórias em quadrinhos e colore as figuras pra ficar mais real... então penso que você talvez pudesse rir dessa coisa toda ou talvez fosse ficar muito sério e se distanciar por um bom tempo.... então desligo o imaginário e vou trocar o disco pra tentar lembrar de alguma outra coisa... e nossa estória imaginada volta pro lugar onde ela sempre morou sozinha e eu pouco te contei e mesmo pouco acessei... e quando abro a caixa pra guardá-la, noto que a cada visita a fantasia faz o favor de gestar mais uma e acabou de crescer um bocadinho... aí eu sorrio e começo a cantar...
Para você mesmo este texto... TE AMO!

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