5 de agosto de 2009

O Homem e o Sofá


Creio estar certo de que uma coisa é simples. Há pessoas que estão numa eterna busca de seu bem-estar, ora reconstruindo, ora desconstruindo. Mas o que é intrigante é que tais acabam fugindo do tal lugar comum, que generaliza tanta gente. Buscam alguma coisa, seja lá o que isso possa ser, e o fato é: Podem ir muito mais além do que se imaginou, no fluxo das possibilidades, com uma pequena dose de coragem e nenhuma apatia.


Estes dias lendo um texto sobre a psicologia popular, vi que nossos horizontes podem num momento parecer mais claro, já num outro, podem nem se querer aparecer. O que me resta, de todos os conceitos é retirar o preconceito e instigar.
Me instigar na vontade, a delícia de se ter ponto de vista. Questão de objetiva. Foi através de mais um texto tão conflitante quanto os outros que a mera psicologia trata que li uma frase relacionada com as questões do real e do ficcional, da qual me fez querer levantar vôo, mudar de ar... Era tal: “(...) É através da ficção que conseguimos ampliar nossos horizontes (...)”. Claro, que a frase dentro de um contexto falava mais que isso, mas já aí mesmo parei de ler o texto e comecei meu vôo. Já sabia que era o momento de ir.

... Aumentar minhas possibilidades ou apenas ver com olhos cegos a realidade? A trinca perfeita, ou quase perfeita: a realidade, a ficção e a cor. Desbotadas, descompassadas, distorcidas, camufladas. Não entram mais em sincronia com a composição da cidade. A idéia de tempo se tornou tão conveniente que ninguém acha mais graça em colorir, é mais rápido e prático olhar as coisas e a vida de forma a não enxergar o detalhe, não ver sentimento através da vida que normalmente é expressa pelas cores. Alias, acho que só nas cidadezinhas do interior do nordeste ou interior de outros interiores, o homem consegue sobreviver ao caos de ver e não enxergar.


Vejo cores nas unhas de pessoas alheias, na intensidade dos sons, nas atitudes dos seres, nos bosques, no outono, nos sinais de trânsito, na lua. Porque percebo, sinto de forma Lispector. Por ora, ouço mais e falo menos. Por outra, apenas respiro e navego. E como não me intrigar com o predomínio da cor, para além daquilo que não se consome. Ir além da intenção, praquilo que tira meu sossego e que é traduzido pictoricamente através de sonhos.Sonhos desejos, outrora Picassos.


Apenas um detalhe em meio à rapidez do trânsito e o caos da cidade. Vi um homem e o sofá; não sei se ela dele, como ele o adquiriu, não sei se era velho, emborrachado. Abrigava um homem. O sofá vermelho e o homem, apenas um homem. Qualquer ou não, não passava de um homem. Ver cor onde não há expressão. Ter expressão onde não há vida. Situações mínimas, cotidianas que nos reviram por dentro. Que me faz querer falar, dançar, ouvir música, olhar mais e ver menos. Viver. Tirar o branco das janelas fechadas, das pessoas que passam e cheiram a nada, praquelas que não se falam fazer um sinal de adeus. Preto na diferença e branco na falta do preto. E o vermelho que em mim ficou colorido... No homem que sou em preto e branco. Depois de muito viajar na imagem q apreciei por tanto tempo, passei na velocidade da luz e nem aquele homem nem o sofá estavam mais lá. Loucura né?? normal... sempre complico, o que já é complicado... hehe

Um comentário:

  1. Hugo adoro essa sua sinergia:D
    ovulei nesse texto^^
    bjoomeliga
    mariaaaaaaaaaa(:

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